21.9.05
08.09.05
Não sei até que ponto o conhecimento conforta. Há muito mais liberdade no esquecimento e na ignorância.
posted by M.D.Aragón at 15:26 !
08.09.05
Pequena divagação sobre o nada (e o nada).
Então, se não há um meio certo de se fazer as coisas; e, sim, um jeito único de se fazer alcançar o resultado da coisa, há em nós, o erro existencial (e essencial) de julgar.
O que vale em algo para o íntimo, não o vale com a mesma veemência para a exterioridade. E nada, então, é absoluto. Talvez aí resida mais uma peça fundamental do encaixe: a negação absoluta da radicalidade - e a glorificação divina do equilíbrio.
Nada é absoluto e nossa presença só a nós mesmos podemos provar. Prova - axioma estúpido - fracamente usado para aqueles que não tem valoração objetiva universal. Porque não há como julgar o íntimo, se nem o seu causador o conhece. Parece até que o ceticismo nos invade com certa coercibilidade que, não havendo forma inteligente de a negar, resta-nos a covardia do acatamento.
posted by M.D.Aragón at 15:26 !
05.09.05
De repente, toda a existência humana nada mais é do que um dia: o brotar da consciência ao raiar do sol - e a noite a velar a inconsciência, como a morte.
E no espasmo da tarde, a esperança.
***
Hoje mesmo me surpreendi ao delatar-me simploriamente.
posted by M.D.Aragón at 15:26 !
29.08.05
De tudo o que desenho em meu pensar, nada é mais significativo do que o reto, do que o paralelo. Talvez porque em toda a realidade da minha vida, nunca tenha conseguido agir com a retidão que o sonho supunha.
***
Eu já cansei de cogitar saídas. Cansei de pedir e receber. Quem nada busca alcança o que não deve ou o que não merece?
***
Às vezes me sinto como se tivesse cansado totalmente todos os músculos do pensar. Resta-me, então, a alegria de dormir e de cantar. Então, os músculos reais, os de sangue, cansam da cama e a garganta não aguenta a pressão. Acontece de me pegar, assim, pensando.
***
Me desprezo com os mesmos motivos de quem se limpa. Obessão fervorosa de supor necessidade vital. Ou moral.
posted by M.D.Aragón at 15:26 !
29.08.05
Preciso acabar com a dor, mas antes com a esperança. E como acabar com a esperança sem dor?
posted by M.D.Aragón at 15:25 !
29.08.5
Somos assim: eu e você
Somos assim: três quartos de bicho
um quarto de gente
e essa gente está em mim
caprichosamente
com um medo louco de você.
posted by M.D.Aragón at 15:25 !
29.08.05
Não tenho parado para pensar no que quero. E, deste aspecto, vejo-me perdido num átimo de perseverança e desprezo. Ora, porque, na real impossibilidade de tudo o que, suponho, seja sonho, persevero viver, como se nem a morte me aliviasse. Desprezo também o que sonham todos por mim. Se não tenho coragem de fazê-lo, resta-me desprezo em acatar as conveniências de um compromisso muito mais impessoal e ao mesmo tempo social, do que íntimo.
posted by M.D.Aragón at 15:25 !
20.08.2005
Essas crianças me terão na memória como alguém que, sozinho, sorria da clareza lúgubre de beber a solidão escrevendo.
Mas a ausência me levará, com o tempo, ao mais remoto mundo dos mortos - inclusive a dos mortos esquecidos da memória das crianças.
posted by M.D.Aragón at 15:24 !
20.08.2005
Erros de concordância
Eu pensei que, chegando em tua casa - ou em casa em que estivesse - e, respondendo à tua pergunta, me restaria dizer que a minha bagagem trago nos olhos. Trago também aquela tristeza interessante de quem, na ausência de palavras, busca baixar a cabeça e contemplar-se, como quem contempla o nada.
O que, afinal, de uma vez por todas, sempre foram a mesma coisa.
Não preciso de mais do que cem anos para dizer-te o que sinto. Mas provavelmente precise de mil anos para te explicar o que não sinto - e elencar isso de forma que seja possível perder-se na amargura de dias sem fim para bebê-las.
posted by M.D.Aragón at 15:24 !
16.08.2005
Toda originalidade deriva da ausência de cansaço - mas todo processo criativo derivado do cansaço da antiga originalidade.
E tanto tem isso a ver com a poesia quanto tem a ver com a noite, o dia e o amor.
posted by M.D.Aragón at 15:24 !
"Nunca" é uma ótima palavra para se começar uma biografia. Dramática, simples, pobre e inconstante são, em resumo fétido, o enredo que me resta.
Dramaticidade do pavor ao comum.
Simplicidade corriqueira de um incipiente.
Pobreza espiritualmente material.
E inconstância sinalagmática, como o tom mais alto do entoado hino que cantam os fanáticos, os loucos e até os mudos.
posted by M.D.Aragón at 15:24 !
16.08.05
Pensei encontrar na morte não a redenção de minha covardia, muito menos a remissão de meus pecados. Pensei encontrar na morte alívio que pensei nunca mais encontrar na vida.
Por certo pensei e não me enganei totalmente - só não concluí minha cátedras - porque nem a morte me quis.
posted by M.D.Aragón at 15:23 !
16.08.05
Eu queria muito mais aprender com o sonho do que desandar com a realidade. Simplesmente porque o que me ama um, odeia-me a outra.
Poderia encontrar de tudo no inconsciente, inclusive beleza. Poderia supor apologia ao estado natural - e primitivo - do pensamento: uma espécie de puritanismo utópico, sem memória, sem receios e, principalmente, sem traumas. Uma infantilidade, uma covardia!
Dualidades de mim.
Ambiguidades concernentes, convenientemente julgadoras daquilo que, suponho, tenha a ver com o amor. O amor em mim é uma tristeza, um medo , um fracasso. Potável e consumível; destrutivo e concludente. Inquieto e taciturno.
Ante ele, pactuo muito mais admirar o respeito e a selvageria do sexo - do corpo ativo, da alma livre e da mente momentaneamente vazia. E a alma...
Sobra tempo de encontrar aquilo que me parece Deus.
posted by M.D.Aragón at 15:23 !
13.9.05
eu não tenho medo de ter medo
ainda é cedo
eu não tenho medo de ser dúvida
minha impaciente ignorância
é lúcida
eu não tenho pena de não ter paz
procuro, ao contrário do que pensas
uma dor que me apraz
é tudo questão de absorver
uma reação
uma ilusão
uma confissão
como se fosse verdade apenas o ver
esquecendo o pensar, o sentir e o querer
resolvido o pecado com a confissão
posted by M.D.Aragón at 17:35 !
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