Crónicas Errantes


27.12.05

As vezes canso e desço à quinta dos infernos. Lá não me encontro, porque desci justamente por não saber onde estou. A primeira leitura de tudo é esse cansaço deliberante, bélico em seu sentido extenso.
Não há então coisa que reste-me saudar. Não há, também, o que se dizer belo ou terminantemente confortável.

Procuro o poder persuasivo de silenciar.

Contento-me em fazer planos de pôr fim à tudo. Contento-me em satisfazer a esperança, matando-a num futuro mais calmo, em uma noite bêbada, onde porei fim a todos os remorsos. Onde porei fim ao que quero, ao que sou e ao que deveria ser.

Não importa-me o conforto dos próximos, terão eles que aprender com a dor como eu aprendi. E se quiserem furtar-se do sacrifício, que sigam a ler as páginas que cegam as dores, os sentidos e o prazer. Preparem-se também para conviver, literalmente, com a insígnia eterna da cobardia.

Não passa incólume pela vida aquele que se põe a pensar e, antes, a sofrer.

!